A revista Isto é Independente, em sua edição número 1819 trouxe como reportagem de capa a revelação do jornalista Luís Costa Pinto (Lula), referentes à época em que era editor da revista Veja em Brasília. Ele contou detalhes sobre a cobertura jornalística das acusações contra Ibsen Pinheiro, o ex-presidente da Câmara dos deputados e recém-lançado candidato à presidência da República em 1993, um ano depois de ter comandado a sessão que terminou no impeachment ao ex-presidente Fernando Collor de Mello um ano antes.
O jornalista admitiu que as acusações contra Ibsen, sobre o envolvimento com a “Máfia dos Anões do Orçamento”, eram falsas e isso foi percebido antes da publicação da revista com as denúncias. No entanto, houve a decisão de se publicar a edição, o que resultou no massacre político do ex-deputado, com a cassação do mandato em 18 de maio de 1994. Ele ficou oito anos inelegível. Enquanto ao jornalista, ainda apareceu envolvido em outro escândalo, quando, em 2007 foi citado no processo do mensalão.
Conforme a afirmação de Luis Costa Pinto, a revista promoveu uma injustiça que teve consequências irreparáveis. Não resta dúvida que a imprensa tem poder de transformar a história e a notícia precisa ser tratada com ética e responsabilidade.
No entanto, se levarmos em consideração a quantidade de casos que veem à tona todos os dias por meio da imprensa e acabam ajudando a melhorar a vida da população, é possível ver a questão por outro ângulo. Quantas denúncias não acabam gerando justiça social, políticas públicas, respeito aos direitos e garantias dos cidadãos.
Por isso mesmo, a “Lei da Mordaça”, aprovada pela Câmara dos Deputados, precisa ser melhor avaliada, antes de ser votada no Congresso e sancionada pela Presidência da República. Que bom saber que a OAB já se prepara para ingressar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade para derrubar a lei. A Lei pretende punir com detenção de dois a quatro anos o servidor público que vazar informações sobre investigações que correm sob sigilo. A criminalização da colaboração com a imprensa é vista pela OAB como uma volta à censura. Concordo plenamente.
A relação desses servidores com a imprensa foi tachada de “perigosa”, pelo relator do caso, deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL). A meu ver, perigosa é a relação de certos políticos com a imprensa, quando se aproximam dos jornalistas para ganhar visibilidade, e não focam a atuação em fiscalizar, legislar, administrar e desenvolver o cargo com compromisso.
Quando o STF cassou o diploma dos jornalistas por oito votos contra um, em 17 de junho de 2009, o relator e presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, disse que o jornalismo é profissão vinculada ao amplo exercício das liberdades de expressão e de informação, e que exigir o diploma seria contra a Constituição Federal, que garante liberdade de expressão e informação. Pois bem, que liberdade é essa que está sendo considerada crime? Que direito à informação é esse, se as fontes confiáveis serão amordaçadas?
Por: Edenir Gomes - jornalista da TV Jangadeiro
Fonte: Blog da Janga
