Ar@quém News - terça-feira, 18 de outubro de 2011

Médicos acusados de retirar órgãos de pacientes vivos são julgados

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Começou nesta segunda-feira (17), em Taubaté, no interior de São Paulo, o julgamento de três médicos acusados de retirar órgãos de pacientes vivos, na década de 1980. Na primeira etapa do júri, as testemunhas de acusação prestaram depoimento. Uma delas é a enfermeira Rita Pereira, que diz ter visto o momento em que um dos médicos matou um paciente com um bisturi.

"Quando eu olhei, os rins já estavam em cima da mesa. Olhou para o doutor Fernando e falou: 'Não terminou ainda?'. Ele disse: 'Como? Ele não pára!'. Aí ele: 'Não para? Vou mostrar para você'. Ele pegou e falou: 'Tão fácil, olha só'. Pegou a lâmina e furou. Assim que furou, o paciente parou de se mexer", lembra Rita Pereira.

O caso ocorreu em 1986 e teve grande repercussão. O então diretor do departamento de medicina da Universidade de Taubaté, Roosevelt Kalume, denunciou quatro médicos à polícia. Segundo Kalume, eles mataram pelo menos quatro pacientes para a retirada dos rins, com base em diagnósticos falsos de morte cerebral.

As cirurgias teriam sido realizadas sem autorização, à noite e pelo mesmo grupo de médicos. Um desses pacientes era o irmão de Ivan Gobo, internado por causa de um aneurisma. O aposentado acusa os médicos de desligarem os aparelhos antes da morte encefálica. "Foi pedida a doação dos rins dele. E no outro dia, após a assinatura, deram a causa da morte dele. Por que tão rápido assim?", questiona Ivan Gobo.

Três médicos são julgados: o nefrologista Pedro Henrique Torrecillas, o neurologista Mariano Fiore Júnior e o urologista Rui Sacramento. O quarto acusado, o neurologista Antônio Aurélio Monteiro, morreu em maio deste ano.

A sentença do juiz deve sair em quatro dias. Até lá, a defesa dos médicos terá que provar à Justiça que os quatro pacientes estavam com morte cerebral no momento da retirada dos órgãos. Sem essa comprovação, fica caracterizada a prática de eutanásia, quando o médico abrevia a vida de um paciente, e que é proibida no Brasil.

“Não existe meio termo, ou está morto, morte encefálica diagnosticada, ou está vivo. Não tem diagnóstico de morte encefálica, os pacientes foram assassinados”, explica o promotor Márcio Augusto Friggi.

“Esses pacientes foram avaliados por sete médicos. O próprio Kalume reconheceu que bastava o diagnóstico clínico. Todos eles com morte encefálica devidamente comprovada”, defende o advogado Romeu Goffi. O destino dos órgãos retirados dos pacientes nunca foi confirmado. 
 
Fonte: Gazeta Web 
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