Ar@quém News - quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Opinião: Compromissos da Copa

A escolha do Brasil para sediar os jogos da Copa do Mundo de 2014 faz justiça, em primeiro lugar, à tradição do futebol brasileiro, colecionador de cinco campeonatos mundiais e exibidor de jogos emocionantes, nos quais abundam a criatividade esportiva, a competitividade do conjunto e o talento individual de seus atletas. Nos últimos tempos, tem faltado uma equipe mais coesa, capaz de constituir a base da seleção permanente, em virtude da dispersão dos jogadores nacionais pelos campos dos cinco continentes.

Mas o aspecto econômico dessa escolha diz respeito à massa expressiva de recursos públicos, destinada a preparar as 12 cidades escolhidas como sedes regionais dos jogos. Nesse ponto, deve-se aprender com os erros cometidos na África do Sul, onde o futebol não é esporte de massa. As grandes estruturas construídas como arenas para os jogos estão, atualmente, ociosas, implicando o fato no emprego inadequado de seus parcos recursos financeiros.

Preliminarmente, é importante identificar de que fontes advirá o dinheiro para as transformações urbanas exigidas pela Copa do Mundo. Da União virá a maior parte dos recursos, seja como inversões transferidas para Estados e Municípios; seja como empréstimos concedidos por intermédio de seus agentes financeiros, para cobrir os encargos necessários à construção das obras de infraestrutura, das praças de esportes e à preparação da rede hoteleira para abrigar os visitantes.

Nesse nível de viabilidade, o Plano Plurianual 2012-2015, em fase final de elaboração no Congresso Nacional para ser aprovado na primeira semana de dezembro, prevê investimentos globais de R$ 5,4 trilhões, distribuídos em quatro áreas de governo: políticas de infraestrutura, políticas sociais, políticas de desenvolvimento produtivo e ambiental e políticas e temas especiais, pela terminologia adotada no orçamento da União.

Desse total, R$ 18 bilhões contemplarão projetos de mobilidade urbana nas cidades escaladas como sedes dos jogos da Copa, nos próximos três anos. Predomina o consenso segundo o qual esses investimentos não podem ter finalidade restrita apenas ao deslocamento das pessoas durante o evento esportivo. Cada projeto deve facilitar, desde sua conclusão, o posterior deslocamento do residente no espaço urbano, eliminando, assim, uma possível ociosidade das obras.

Segurança pública, sinalização urbana, limpeza, transporte eficiente, hospedagens, restaurantes e bares com preços acessíveis às faixas de renda dos visitantes e orientação ao público sobre serviços de emergência médico-hospitalar são compromissos da cidade disposta a conquistar os visitantes, cativando-os para novas vindas. Essa preocupação se junta ao conjunto de obras físicas para complementá-las.

Os compromissos da Prefeitura de Fortaleza, no item mobilidade urbana, correspondem a R$ 261,5 milhões, destinados à construção de túneis, viadutos, ampliação de avenidas, iluminação pública, obras de drenagem e desobstrução do sistema viário. As modificações programadas para eliminar os principais gargalos das vias darão à Capital maior fluidez no trânsito, a partir dos corredores exclusivos para os ônibus.

Fonte: Diário do Nordeste
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