Ar@quém News - segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"O problema da jovem Dilma no tribunal é o photoshop na história, não na fotografia. Ou: quem mostra e quem cobre a cara"

"Peço que leiam com muita atenção este texto e outros que se seguem. No conjunto, eles caracterizam, entendo, a metafísica de um período da nossa história. É raro podermos relatar, em tempo real, a falsificação da história. No geral, o trabalho fica para os pósteros. Agora, podemos fazer nós mesmos esse trabalho. Vejam de novo esta foto, sobre a qual escrevi ontem. A petralhada ficou enlouquecida. Posso entender por quê. Essa gente nega até que o mensalão tenha existido, né? Tem dificuldades para conviver com a verdade. Muitos, na rede, afirmam tratar-se de uma montagem. Outros falam que o Photoshop atuou pra valer. Há quem desconfie que ela tenha sido, de fato, torturada porque estaria muito bem etc.

Ela foi presa em 16 de janeiro de 1970, e o interrogatório foi feito em novembro. Daria tempo para ter se recuperado. O ponto que interessa à lógica é outro. Sessões de tortura ao longo de 22 dias, conforme a versão influente, não eram prática dos trogloditas dos porões. As coisas costumavam ser mais rápidas e letais. Mas não! Eu não vou especular a respeito e, já escrevi aqui em outras ocasiões, acho que não se deve fazê-lo. Até porque havia, sim, torturadores operando nos porões do regime. NINGUÉM PRECISA NEGAR A PRÁTICA DA TORTURA PARA DIZER AS COISAS CERTAS A RESPEITO DAQUELE TEMPO.

A foto teria sido resgatada por seu hagiógrafo no arquivo oficial. Não há razão para duvidar de sua veracidade. Tampouco acredito que tenha havido qualquer manipulação técnica. ATENÇÃO, MEUS CAROS, O PHOTOSHOP QUE TEM DE SER COMBATIDO É OUTRO. O QUE SE PRETENDE COM O ESCARCÉU EM TORNO DESSA FOTOGRAFIA É OPERAR UM PHOTOSHOP NA HITÓRIA. É isso que tem de ser combatido. NÃO CAIAM NA CILADA DE DESCOFIAR DA VERACIDADE DA IMAGEM. TENHAM, ISTO SIM, É A CLAREZA PARA DESCONFIAR DO NOVO OFICIALISMO.

Conforme vocês verão no post abaixo, as esquerdas não eram compostas de anjos rebeldes, mas essencialmente bons, que estavam combatendo os dragões da maldade. Essa narrativa que a foto sugere é uma falsificação grotesca da história. No post abaixo, vocês constatarão, por exemplo, o que aconteceu com um homem chamado Orlando Lovecchio. Conhecerão, ou vão se lembrar, de Carlos Eugênio da Paz, que era da ala militar da Ação Libertadora Nacional, liderada por Carlos Marighella. Terão a chance, em suma, de ver de perto as esquerdas armadas, com a sua face real. A Dilma que aparece sentada ali num tribunal militar não remete àquela que tinha cargo de direção na VAR-Palmares, uma organização que era, sim, terrorista.

Os militares, que lêem papéis com o rosto coberto, geraram polêmica. Os mistificadores adoraram o contraste: ela, a jovem prisioneira, com o rosto à mostra; os fardados, que a julgavam, protegendo-se com as mãos. Estranho? Nem tanto! Cometiam eles ali alguma ilegalidade para o estado de direito da época? Não! Agiam nos porões? Não! Faziam algo que contrariasse a lei, a exemplo dos torturadores? Também não! Ocorre, e sei que alguns agora terão borborigmos estertorosos, que mostrar a cara, nesse caso, implicava um risco considerável. Uma das linhas de atuação das esquerdas armadas consistia, justamente, em matar militares… fardados!" Leia mais no blog Reinaldo Azevedo
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário:

Postar um comentário