Do O Povo Online - "Aos 16 anos, já tem uma vida devastada. Viu o irmão ser assassinado pelas mãos do crack, caiu em depressão e tornou-se refém da mesma droga. Para manter o vício, roubou. Várias vezes. Foi apreendido, internado num centro de ressocialização, liberto e submetido a um programa de liberdade assistida. Pisou na bola novamente. “Quero outra chance para continuar os estudos. Dessa vez, eu...”, e não consegue completar a promessa.
O diagnóstico é grave. Do rapaz de voz constrangida (e mãe mais constrangida ainda) a um ciclo que deveria ser só benéfico, mas está ameaçado pelo poder nefasto dos entorpecentes. “A droga não permite que o jovem cumpra algumas medidas socioeducativas. As de meio aberto têm se demonstrado um fracasso total”, admite o titular da 5ª Vara da Infância e Juventude de Fortaleza, juiz Manuel Clístenes de Façanha e Gonçalves.
Levantamento feito pelo magistrado aponta que 90% dos processos que lhe chegam às mãos têm como protagonistas adolescentes drogaditos. Das 10.590 causas que tramitaram na 5ª Vara em 2011, pelo menos 9.531 tiveram dependentes químicos como sujeitos.
O juiz da 5ª Vara é quem aplica as medidas previstas no ECA para quem comete atos infracionais. A vara atende casos de Fortaleza e vindos de 181 municípios do Interior, já que apenas a Capital dispõe de varas da Infância e Juventude e centros de internação definitiva.
Os jovens furtam e roubam para alimentar o vício. Também fazem uso de armas de fogo e são usados em esquemas de tráfico. “Como não existe política específica para isso (atendimento especializado para os usuários de drogas), muitas vezes o adolescente que deveria estar sendo tratado é responsabilizado com a internação (num dos 14 centros de ressocialização), que também não garante acesso a tratamento de desintoxicação. A internação nem sempre trata a causa do problema”, critica a assessora jurídica do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca), Nádia Furtado.
Uma das saídas seriam os Centros de Atendimento Psicossocial (Caps). Mas a estrutura limitada do serviço na maior cidade do Ceará dificulta o atendimento a todos que precisam de ajuda.
O número de profissionais é insuficiente. Cada uma das seis regionais de Fortaleza conta com dois psicólogos, dois assistentes sociais, dois pedagogos, um pedagogo, um assessor jurídico e até três assessores comunitários. “Cada técnico deveria atender a 20 jovens. Para isso, teríamos que contratar pelo menos mais um de cada categoria. Hoje, muito adolescente não tem para onde ser encaminhado. Aí, aplica-se a socioeducativa (advertência, reparação de dano, prestação de serviço à comunidade, liberdade assistida, regime de semi-liberdade e internação em estabelecimento educacional)”, cita o coordenador do programa “Se garanta”, da Secretaria dos Direitos Humanos (SDH), Renê Dinelli."
O diagnóstico é grave. Do rapaz de voz constrangida (e mãe mais constrangida ainda) a um ciclo que deveria ser só benéfico, mas está ameaçado pelo poder nefasto dos entorpecentes. “A droga não permite que o jovem cumpra algumas medidas socioeducativas. As de meio aberto têm se demonstrado um fracasso total”, admite o titular da 5ª Vara da Infância e Juventude de Fortaleza, juiz Manuel Clístenes de Façanha e Gonçalves.
Levantamento feito pelo magistrado aponta que 90% dos processos que lhe chegam às mãos têm como protagonistas adolescentes drogaditos. Das 10.590 causas que tramitaram na 5ª Vara em 2011, pelo menos 9.531 tiveram dependentes químicos como sujeitos.
O juiz da 5ª Vara é quem aplica as medidas previstas no ECA para quem comete atos infracionais. A vara atende casos de Fortaleza e vindos de 181 municípios do Interior, já que apenas a Capital dispõe de varas da Infância e Juventude e centros de internação definitiva.
Os jovens furtam e roubam para alimentar o vício. Também fazem uso de armas de fogo e são usados em esquemas de tráfico. “Como não existe política específica para isso (atendimento especializado para os usuários de drogas), muitas vezes o adolescente que deveria estar sendo tratado é responsabilizado com a internação (num dos 14 centros de ressocialização), que também não garante acesso a tratamento de desintoxicação. A internação nem sempre trata a causa do problema”, critica a assessora jurídica do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca), Nádia Furtado.
Uma das saídas seriam os Centros de Atendimento Psicossocial (Caps). Mas a estrutura limitada do serviço na maior cidade do Ceará dificulta o atendimento a todos que precisam de ajuda.
O número de profissionais é insuficiente. Cada uma das seis regionais de Fortaleza conta com dois psicólogos, dois assistentes sociais, dois pedagogos, um pedagogo, um assessor jurídico e até três assessores comunitários. “Cada técnico deveria atender a 20 jovens. Para isso, teríamos que contratar pelo menos mais um de cada categoria. Hoje, muito adolescente não tem para onde ser encaminhado. Aí, aplica-se a socioeducativa (advertência, reparação de dano, prestação de serviço à comunidade, liberdade assistida, regime de semi-liberdade e internação em estabelecimento educacional)”, cita o coordenador do programa “Se garanta”, da Secretaria dos Direitos Humanos (SDH), Renê Dinelli."