Sete centros de pesquisa brasileiros vão
participar de um dos maiores estudos internacionais para o tratamento
contra o vírus HIV. Chamado Start, o projeto tem como principal objetivo
descobrir o melhor momento para começar o tratamento com drogas
antirretrovirais. No Brasil, a indicação para o início da terapia
anti-HIV é feita quando o CD4 (células de defesa no sangue) está abaixo
de 350 células por milímetro cúbico. Acima disso, considerada imunidade
normal, os médicos não recomendam o início do tratamento, já que os
medicamentos podem trazer efeitos colaterais.
“O paciente, quando não está tratando o HIV, convive com um processo de
atividade inflamatória. E foi se descobrindo que essa inflamação é
deletéria. Conviver com o vírus com atividade inflamatória leva a danos
teciduais no pulmão, no cérebro, por exemplo. O que se tem agora em
evidência é que viver com o vírus HIV pode estar associado a um
envelhecimento precoce”, disse o médico Luiz Carlos Pereira Junior,
coordenador da pesquisa no Brasil.
De acordo com Pereira, a pesquisa pretende encontrar o melhor momento
para iniciar o tratamento, nem cedo demais, quando o paciente pode
sofrer com os efeitos colaterais dos medicamentos, nem tarde demais,
quando a atividade inflamatória do vírus pode prejudicar algum órgão.
Serão dois grupos de pacientes. Metade farão o tratamento como é
executado hoje, com a imunidade baixa. A outra metade tratará o vírus
com a imunidade normal.
Os resultados deverão ser apresentados em cinco anos. No total,
participam 226 centros de pesquisa de 35 países, sendo sete no Brasil,
coordenados pelo Instituo Emílio Ribas, em São Paulo, e pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
No Brasil, a pesquisa deverá ter a participação de cerca de 500
pacientes. Interessados em participar devem ter o diagnóstico do HIV, e
imunidade normal. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11)
3085-7059 do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo.
Fonte: Agência Brasil