Ar@quém News - terça-feira, 1 de maio de 2012

No Dia do Trabalhador servidor público de Coreaú relata que não tem muito para comemorar

Um leitor, mais precisamente um servidor público de Coreaú, enviou-nos nesta terça-feira um desabafo sobre sua condição de trabalhador. O mesmo não quis se identificar.

Confira o texto:  

"Primeiro de Maio. Data carregada de simbolismo e que nos remete à luta do movimento trabalhista por relações justas e humanas entre a classe operária e o patronato. Celebrada em todo o mundo como uma vitória do operariado frente à desumana carga horária. Das exaustivas jornadas de 16 horas de trabalho, a luta dos trabalhadores possibilitou uma carga horária de 8 horas, acarretando consequências positivas em todas as vertentes e representou uma ruptura definitiva na visão escravista que até então movia as relações de trabalho. É uma data memorável embora saibamos que a luta não para.

Infelizmente nem tudo é festa nessa data tão emblemática. Sou servidor municipal de Coreaú por meio de concurso homologado no ano corrente de 2012. Nesses dias de celebração e festa, lembramos que as velhas práticas exploratórias, numa espécie de nostalgia histórica, teimam em mostrarem-se vivas. Nós, servidores concursados de Coreaú, trabalhadores honrados e que alcançamos nossos postos de trabalho por mérito próprio, estamos há bem mais de trinta dias sem recebermos nossos proventos. Um atentado à mais fundamental das relações de trabalho: o salário digno e justo. Some-se a isso uma questão formal que vem deixando a categoria em estado constante de dúvida e incerteza: até a presente data o termo de posse dos servidores ainda não foi entregue, acarretando, na prática, a estranha condição de servidores de fato, mas sem a certeza do direito. É um lapso administrativo dos mais graves e que agride frontalmente o aparato legal.

É sintomático que em plena democracia, ainda tenhamos de usar do expediente do anonimato como forma de fazer valer nossa voz e nossos interesses legítimos. Infelizmente, tememos por nossos empregos conquistados a duras penas, daí o apelo legítimo, porém destituído da formalidade, por temermos represálias de uma administração que não hesita em desrespeitar às claras os direitos e garantias constitucionais do quadro de servidores.

Contamos com o apoio desse blog e da mídia eletrônica como forma de fazermos um contraponto positivo, respeitoso, porém sincero e verdadeiro, ao que vem ocorrendo na gestão atual. Não queremos transformar o atraso do pagamento dos servidores de Coreaú em bandeira oposicionista, nem em arremedo para políticas menores. Mas não podemos nos calar diante de uma realidade injusta e que vem acarretando toda sorte de constrangimentos a pais e mães de família que precisam pagar suas contas."


Comentários
3 Comentários

3 comentários:

Benedito Gomes Rodrigues disse...

1º. Digo que o texto muito me agradou. É bom saber que temos sujeitos escrevendo neste nível em terras coreauenses.
2º. É triste que textos deste nível tenham sua autoria escondida por medo de represálias. Onde está a liberdade de expressão nessa politicagem de nossa terra?
3º. A situação dos funcionários de Coreaú mostra algo: o cabresto não é coisa dos tempos coronéis... É coisa de agora. E isso me causa muita vergonha e indignação.
4º. Espero conhecer o autor.
5º. Espero que o autor continue escrevendo e enriquecendo os blogues coreauenses.

Anônimo disse...

De quem é esse texto?
O Redator tem o direito de ficar em off e eu de não acreditar nele.

Anônimo disse...

Engraçado como são as coisas nos interiores do nosso Ceará... O autor do discurso acima tem que se omitir por receio de perseguição... Quem reclama que ele não se identifica é alguém anônimo... Infelizmente, tudo é levado pro lado político... O que vemos acima é um texto muito bem fundamentado, de coerência extrema com quase todos os municípios sem fiscalização no nosso Estado. Verifiquem o site www.transparenciapublica.gov.br
Vejam o que seus administradores locais estão fazendo com o dinheiro público (que quer dizer nosso, caso o cidadão anônimo acima não saiba).
Fiscalizem, denunciem, sejam participativos... Talvez assim, um dia, nossos órgãos públicos sejam realmente públicos e não cabides de empregos pra pessoas sem formação e capacidade para ser um servidor de de fato e de direito, não de favor.

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