Ar@quém News - quinta-feira, 3 de maio de 2012

‘Rei Davi’ termina hoje e consolida modelo bíblico

Termina hoje, cercada de glórias e muito ruído, a minissérie Rei Davi (23h15), trunfo bíblico da Record neste primeiro semestre. Foi a terceira produção baseada em passagens da Bíblia, filão aberto pela emissora em 2010, com A História de Ester, aprofundado no ano passado com Sansão e Dalila, e consolidado agora, com boa dose de picos de Ibope que fizeram a líder Globo tremer.

Em disputas ponto a ponto, a emissora do bispo levou a melhor durante a transmissão do carnaval e nem mesmo a superprodução As Brasileiras, com assinatura do diretor Daniel Filho, foi capaz de monopolizar a atenção do telespectador. A maior vitória foi no capítulo do dia 23 de fevereiro – 16 pontos para Rei Davi contra 10 do episódio A Viúva do Maranhão, na medição da Grande São Paulo, e 21 a 14, no Rio.

Os poréns e os saltos de qualidade não podem ser desprezados, mas é fundamental que, para explicar o sucesso, seja levado em conta o poder da história, pura e simplesmente. É claro que nem tudo é fé, mas a massa de católicos e evangélicos no país deve pesar um bocado na boa audiência da minissérie. Há ainda os que elogiam a ancestralidade das histórias, que repercutem em tantas outras até hoje.

Davi, é um personagem dos mais interessantes, e a escolha de Leonardo Brício para o papel, um grande acerto. Teatral na medida que a história comportava, e até pedia, ele levou a minissérie como se espera de um protagonista, em boas parceiras com Renata Dominguez (Bate-Seba, seu grande amor) e Maria Ribeiro (Mical, a esposa vilã).

A história do pastor de ovelhas que se torna rei de Israel é envolvente, emocionante e foi bem contada pela autora Vivian de Oliveira – que escreveu A História de Ester e já está escalada para José – de Escravo a Governador, a ser lançada em 2013. Ela foi bem na árdua tarefa de adaptar uma longa trajetória – dos 28 aos 70 anos do protagonista –, sem didatismo e com linguagem bem dosada entre o formal e o palatável da televisão.

O problema é que nem todos os atores são Leonardo Brício. Pior, muitos no elenco de apoio não chegam nem perto disso. E não há texto que resista diante de um guerreiro que puxa um s feito carioca, ainda mais se o personagem em questão estiver a ponto de enfiar a espada no coração de alguém. Produções de época são exigem grande esmero – o que é ruim no hoje fica péssimo no ontem.

Por isso, a fotografia precisa de mais refinamento. Incomoda a iluminação excessiva do interior dos palácios. Você vê meia dúzia de tochas em cena, um clarão danado e pensa “de onde vem tanta luz?”. Com tudo às claras, percebe-se que os entalhes no “mármore” das paredes são pintados – no gesso? Visto isso, pronto. A gente desconfia da seda do figurino, da boa qualidade das perucas e quase esquece da trama.

Mas isso não impede que a Record tenha motivos para comemorar hoje, 29 capítulos depois. Sempre acusada de copiar a concorrente, a emissora abriu aqui um caminho próprio.

Fonte: Quanto Drama!
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