Ar@quém News - segunda-feira, 18 de junho de 2012

E se fizéssemos uma greve de votos?

O Ceará vive há quase um ano, dias de greve quase que ininterruptos. Em agosto de 2011, os professores estaduais iniciaram uma paralisação que durou mais de 60 dias. Em busca dos seus direitos, servidores da Prefeitura, policiais civis e militares, médicos, enfermeiros, agentes de endemias, professores da UFC também cruzam os braços. Sem contar os agentes de limpeza urbana. Neste momento sofremos com paralisações dos carteiros e dos rodoviários de Fortaleza.

Enquanto isso, governador e prefeita trocam farpas por uma aliança quebrada e um casamento mal sucedido. O caos está instalado. O trânsito é caótico devido a má qualidade da mobilidade urbana, hospitais públicos atendem pacientes no chão, bandos explodem bancos e sitiam cidades.

Em meio a todo este furacão, a sociedade fica refém e nada pode fazer. Os nossos representantes não cumprem com as promessas e nem sequer tentam maquiá-las. Mas chegou a época das eleições. Eles querem o topo. Querem sorrir ao lado das crianças, abraçar velhinhos, distribuir dinheiro enquanto pedem votos.

E se o eleitor fizesse greve do voto? Se no dia 7 de outubro de 2012 todos os eleitores resolvessem não sair de suas casas?

Mostrar que a população está cansada do esquecimento por parte dos políticos seria uma saída para o caos que vivemos? Não. Infelizmente vivemos em um país onde o voto é obrigatório. No Brasil, a razão principal da adoção do voto obrigatório, em 1932, foi o temor de que uma participação diminuta pudesse tirar a legitimidade do processo. Realmente, em razão dos impedimentos legais (sobretudo a exclusão dos analfabetos) e das condições históricas de um país eminentemente rural, o eleitorado da época restringia-se a cerca de 10% da população adulta, o que significava um número muito reduzido (J. Soares, 1973).

Somos obrigados a escolher representantes que possivelmente vão nos trair meses depois. Mesmo desinteressados, até mesmo sem entender o que realmente é Política, somos obrigados a escolher homens e mulheres com altos salários, folgas nos finais de semana, férias estendidas entre diversos direitos, e que irão desviar verbas para crianças carentes ou ‘construir’ banheiros fantasmas.

Há pelo mundo países realmente democratas e desenvolvidos que não obrigam seus habitantes a votar e têm um alto índice de representatividade. Sem contar a escolha de bons políticos. Cidadãos dos EUA, Canadá, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Japão, Rússia, Israel, Finlândia, Espanha, Portugal, Suécia, Suíça, Irlanda, Dinamarca, Noruega mais outros de dezenas de nações onde não é preciso ir as urnas obrigatoriamente.

O sociólogo Tulio Kahn, em “o voto obrigatório”, de 1997, afirma que “é preciso lembrar que, ao menos no que se refere à participação eleitoral, certas regras institucionais do sistema brasileiro, como a obrigatoriedade do voto e a representação proporcional, por definição, jogam os intolerantes e não-democratas no cenário político, independentemente de seus interesses pelas atividades políticas“.

Assim, se vivemos em um caos onde é preciso para uma categoria, um serviço ou uma cidade para cobrar os nossos direitos juntos aos nossos representantes, uma greve do voto seria uma solução para a melhoria da Política brasileira?

Em tempo: a intenção desse texto não é incentivar à “greve de voto”, mas apenas levantar uma discussão.

Por Felipe Lima

Fonte: Jangadeiro Online
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