Ar@quém News - quinta-feira, 26 de julho de 2012

Olho d’água da Jurema - Coreaú

É um manancial aquático público localizado no sopé do Serrote da Jurema, (a 6 km de Araquém). Esse patrimônio natural é o responsável pelo abastecimento de água na comunidade Jurema (Jurema do Amador). Conta-se que em longínqua dada um morador politizado da comunidade havia feito um cordel sobre esse olho d’água. Mas esse cordel ficou só na oralidade do autor, assim, não sobreviveu nada escrito. Fica em glebas da tradicional família Amador. Inclusive um dele, Iraldo Amador Da Silva, foi prefeito de Alcântaras-Ceará, na década de 1970.

É perene, mas, a história oral sustenta que houve uma época em que suas águas secaram e o motivo foi um desmate do serrote por um roçado. Isso atesta que a vegetação dá sustendo a existência do aqüífero dessa veia d’água.

Na seca de 1983 dois moradores da Jurema, Seu Lídio Rodrigues e o seu Valdemar, se uniram para construir o pedramento (arquiteturado com pedra, areia, cimento e cal) de uma cacimba do olho d’água, conseguiram, mas, infelizmente a obra foi vandalizada posteriormente.

As memórias dos mais velhos ainda sentem saudades do velho trapiá em que seu grande oco no tronco servia como banheiro. O pé de aroeira ao lado, as sombras das mangueiras que resfriavam e ainda refrescam o lugar.

Tem um elegante tanque em arquitetura típica para dar de beber aos animais outrora criados na comunidade, principalmente aos Jegues em que a população transporta os canecos (ancoretas) de água. Esses canecos eram confeccionados em madeira ou em borracha de pneu.

Pela manhã as pessoas da comunidade se encontravam onde durante os serviços de encher os canecos também socializavam conversas, fazia negócios e em casos raros haviam pequenas confusões, os famosos bate-boca. Coisas da humanidade. Em épocas de colheitas, viagens do adultos a tarefa de buscar água no olho d’água ficava a cargo da meninada. Além das ancoretas, o transporte era feito em lindas cabaças-de-colo, baldes, latas e em carros , suporte de madeira com rodas na extremidade e apoiado uma ponta no ombro onde as cabaças e baldes iam pendurados. E ainda havia mulheres que botavam um pote de barro cheio de água na cabeça apoiado em uma rudia de pano.

Essas águas ainda são a principal fonte abastecedora da comunidade, no entanto, a ação antrópica tem causando estragos ao manancial, desmatamentos e queimadas.

É um dos patrimônios naturais da gente, de nossa terra. E faz parte da cultural local. É uma encantadora história para quem conviveu sua ambiência real.

Palavras de quem lá viveu de 08 de Agosto de 1980 a 19 de julho de 1990. Saudades.

Por Moacir Ximenes


Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário:

Postar um comentário