Ar@quém News - sábado, 28 de julho de 2012

Palmada educa a criança?

Tenho ouvido este ditado desde a infância. Muitos a ele recorrem para apoiar a palmada em crianças. Não penso que bater num filho pretextando educar seja um crime. Apenas acho contraindicado, porque realmente não educa. Quando batemos em nossos filhos é frequentemente a raiva e não o amor que impulsiona o gesto. E raiva não educa.

PALMADA TRAUMATIZA?

Quando me posiciono contra a palmada muitos pais respondem: “Eu apanhei e nem fiquei traumatizado”. Primeiramente, trauma nem sempre é lembrado, pelo contrário, a maioria das vezes seu prejuízo se dá sem que o traumatizado tenha consciência. Portanto, o fato de pensarem que não ficaram traumatizados não quer dizer que não ficaram.

Em segundo lugar, não acho bater nos filhos contraindicado porque é traumatizante – pois pode ser que algumas palmadas de fato não provoquem traumas –, mas porque, como disse a princípio, bater não realiza o que justificam ser a sua motivação: educar.

A EVOLUÇÃO DA PALMADA

Houve tempo em que os pedagogos usavam a palmatória e ninguém questionava o valor do método. Até que anos e anos de pesquisas mostraram que existem melhores maneiras de educar e hoje se um professor bater no seu aluno será demitido. Pois bem, de forma semelhante ainda estamos tão acostumados à cultura da palmada pelos pais, que não questionamos e acreditamos que é mesmo o único recurso em certos momentos. Mas a verdade é que não é. Sempre o diálogo, a presença e, sobretudo, o exemplo, serão os melhores agentes educadores.

Porém, tais agentes não devem ser usados apenas nos momentos difíceis, mas a toda hora! Negligenciar presença e atenção ao filho, para depois com uma palavra esperar convencê-lo de que é melhor estudar que brincar, realmente é uma tarefa difícil! E se o pai ou mãe jamais estudaram na frente da criança, mais difícil ainda. Provavelmente, para estes, a palmada ou a humilhação – outra forma de violência – serão mais eficientes na manutenção da ordem imediata.

Não digo que devemos condenar os pais que nos bateram, pois eles foram frutos de sua época. Mas nós que vivemos noutra época podemos fazer diferente. Se nossos pais já nos ajudaram com palmadas, o que de melhor não poderemos fazer por nossos filhos com métodos sem violência?

RESPEITO AOS FILHOS

Claro que não se pode conversar com uma criança de apenas um ano da mesma maneira que se conversa com uma de dez. Para cada idade, há estratégias diferentes que cabe a cada pai e mãe pesquisar nos livros que pululam nas prateleiras de nossas livrarias.

Ouço muitos casais dizendo que não planejam filhos porque lhes faltam recursos financeiros. De fato, isto é prudência, mas, maior responsabilidade é pensar se há maturidade suficiente para ter filhos, para lidar com seres que, embora saídos de nós, são individualidades, com cabeça própria, direitos iguais! Afinal, criança é gente e também merece respeito.

Fonte: Papo Psi - Jangadeiro Online
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