Belo pensamento o de A. Huxley, não? Caro blogueiro Hélio Costa, não sei se minhas palavras são cabíveis neste momento e muito menos se os lacônicos traços são dignos de nota. Aparentemente dois termos bem simples de entender e fácil de praticar. Será mesmo? Na realidade, o primeiro é simples (necessita apenas de uma bola, alguns Homens para correr atrás e outros fora de campo), o segundo é complexo, muito complexo e exige muito de nós. Não é necessário raciocinar para torcer por um time, a Política é diferente, sua prática exige vivência, sensibilidade, entendimento social, humano e acima de tudo, sonhos de mudança arquitetados dentre muitos outros pontos. Muitos dizem que futebol e Política são dois termos que não se discutem. Por que será que eles (os que constroem regras sociais) nos impõem esse pensamento?
Como o Homem pode pensar em Política (no sentido real do termo) se não tem sede de mudança? E quando menciono mudanças me refiro a um complexo conjunto, a intelectual, social e pessoal etc. Os sonhos das pessoas estão sendo castrados pelo próprio sistema social, é objetivo do monstro Sist proliferar um bem-estar pessoal. Nossa Sociedade é muito egoísta. Somos condicionados pela própria Sociedade a viver apenas para nós. É um “ensinamento” que não nos leva à Política propriamente dita. Enquanto esse pensamento estiver presente nos genes social, infelizmente não teremos muito progresso. O que fazer então? Educar os nossos futuros pais, nossas crianças, nossos futuros vereadores, e acima de tudo, educar a nós mesmos.
Quando nos sensibilizamos com nosso semelhante, com nossa realidade, com o mundo, estamos na realidade construindo uma nova maneira de se educar, completamente diferente da educação que nos é vendida, que nos é imposta. Portanto, para a Política se tornar “interessante” (talvez esse não seja o termo, mas estou apenas pegando emprestado) faz-se necessário rever todos os conceitos que recebemos da Sociedade e pensar como estamos lidando com eles. Estamos aceitando normalmente ou refletindo sobre ele? É necessário pensar sobre isso. Na Sociedade a qual fazemos parte, não se pode mudar da água para o vinho de repente. É preciso tecer uma longa teia se quisermos tempos melhores, sonhos mais reais.
O fanatismo (todo e qualquer tipo) também é estratégia social, ele nos obstrui o aprendizado e a reflexão. Não creio que amar a Política seja uma solução, mas apenas praticá-la seria um bom começo, porque após isso poderíamos alçar vôos mais altos em busca de uma melhor construção humana. Nossa! Como os gregos gostavam de discutir e refletir sobre assuntos importantes e complexos, talvez essa fosse sua educação, sua cultura, que foram degradadas ao longo da história, através de artifícios técnicos. Era totalmente diferente da nossa. Deveria ser “interessante” (uso novamente emprestado) passar alguns instantes em Ágoras...
Realmente (e não há dúvidas disso) já estamos vivendo as ideias de Aldous Huxley expressas em seu “Admirável Mundo Novo”. Não diria “socializados”, pois esta é uma palavra pouco expressiva, mas diria condicionados desde criança à usar essas práticas que pouco exigem de nosso raciocínio. O futebol é uma espécie de marcha idealizada pelos que moldam o Sistema, é uma propaganda capaz de alienar nossas crianças. Tal marcha, favorece muitos empresários e acima de tudo, constrói adultos treinados a ponto de não pensarem em ações políticas. O futebol (apenas uma das ferramentas de alienação) distrai nosso pensamento. Na multidão (e o futebol é um belo exemplo) as pessoas perdem o poder de raciocínio e a capacidade de escolha, mergulham em uma animalidade frenética.
Os 10% que nosso amigo Erandir aconselha, é uma porcentagem altíssima se quisermos evoluir como seres políticos. Se quisermos uma Política de fato, faz-se necessário elevar o nível intelectual do eleitorado, e como se faz isso? A leitura é uma ótima alavanca...