O rangido da grade de ferro, seguido do estalo seco do cadeado,
descarta enganos e crava o lembrete: não importa se centro educacional
ou penitenciária, se dormitório ou cela, o sol que todos os dias nasce
quadrado aos 17.508 presos comuns no Ceará é o mesmo que amanhece para
973 adolescentes infratores internos em centros educacionais.
As
diferenças entre os dois cenários, entretanto, são superiores às
semelhanças. A começar pelo custo de cada preso comum e jovem infrator
para o Estado. Por mês, o Ceará gasta até R$ 1,5 mil com um
prisioneiro, segundo dados da Secretaria da Justiça e Cidadania
(Sejus). Um adolescente em conflito com a lei, interno de um centro
educacional, custa o dobro: R$ 2,9 mil. O valor equivale a mais de
quatro salários mínimos, seria suficiente para beneficiar pelo menos
nove famílias pelo Bolsa Família e sustenta, hoje, dois milhões de
domicílios cearenses (IBGE, 2010).
Fonte: O Povo Online