Pra jogar limpo com vocês, leitores e comentadores de plantão, em matéria de futebol não sou do time do contra; e não falo isso querendo evitar ou driblar um cartão vermelho de populares num país de cultura tão “futebolizada”, que é o Brasil – demonstração disso são nossas expressões idiomáticas, como as que usei agora, repletas de temos oriundos do futebol.
Como prática esportiva, o futebol é, sem sombra de dúvida, uma das mais dinâmicas e admiráveis, requerendo resistência e perícia dos jogadores, bem como o entrosamento do grupo; além disso, existe todo um âmbito tático e estratégico que o perpassa; portanto, e por muito mais, futebol não é algo “fácil”, sobretudo quando se fala do status de arte que alguns conseguem atribuir a ele, com os toques de peraltice e aprimoramento da técnica.
Digo isso pra argumentar a favor do futebol como uma atividade interessante e necessária, em certo ponto, enquanto esporte - hoje, mais do que nunca, devemos ter ciência que não há saúde sem atividade física regular e sem lazer ou ócio. Ora, não é porque não levo jeito ao praticá-lo que irei desqualificá-lo.
Entretanto, como nem tudo são flores, não poderia deixar de tecer críticas às implicações culturais do futebol, oriundas duma lógica capitalista dominante, de mercantilização da vida, do esporte, do entretenimento, do lazer, do tempo etc.
Pra tratar disso, usarei de dois tópicos, tentando ser ao máximo claro e sucinto em minhas assertivas (críticas):
1- O critério pra escolha entre torcer ou não pra um time é absolutamente arbitrário; pra saber, tente recordar da ocasião em que escolheu o seu time, e verá que foi, provavelmente, por alguma razão afetiva ou impulsiva (até mesmo “herança”); não havendo, porquanto, uma justifica no âmbito de argumentos logicamente válidos pra escolha. Vai me dizer que ponderou todos os aspectos táticos e históricos (dentre outros) possíveis entre as diversas opções pra escolher o time que você torce? Se fez isso, saiba que você é membro de uma imensa minoria! Então, por que brigar por um determinado time em detrimento de outro? Faz sentido as agressões entre torcidas organizadas, intrigas, discussões levadas a sério por conta de torcida de time? São meras expressões das paixões humanas, encontrando um meio de extravarem, de formas grotescas, como radicalmente são. Isso é muito distinto de questões políticas, que podem e devem ser argumentadas e ponderadas, pois delas dependem efetivamente os rumos públicos de dado local.
2- Você já reparou como os grandes times de futebol de hoje se comportam como verdadeiras empresas? É justamente porque são empresas: empresas publicitárias de si e de outras empresas, empresas que comercializam pessoas (os jogadores, técnicos, assistentes...) e ganham fama e dinheiro com títulos! São empresas que estabelecem uma relação comercial com a mídia, que as promove, e que vêm perpassadas de uma lógica comercial, de entretenimento; elas se vendem a você, que as consome, “fugindo” do mundo (isto é, o mesmo que se alienando, num sentido marxista e pra além dele) ao ficar vidrado na TV ou ir a um estádio qualquer e “morrer” pelo time. E, como são hegemônicos (isto é, eles é que mandam), têm uma série de privilégios; veja-se as obras da Copa, passam por cima de licitação, do povo que reside na região etc., ademais a Fifa (a empresa maior) é repleta de “incentivos”, quero dizer, a Fifa tudo pode, e quem mais ganha com uma copa em lucro é ela. Quer negócio mais lucrativo que futebol?! Quer ser massa de manobra dos dirigentes de time e de toda a roda econômica que o futebol comercial movimenta?
São esses dois pontos que abordo, por ora, como suscitadores de reflexão e possível debate. O futebol é algo interessante, mas que pode ser usado de forma perversa. Cabe a você, que não quer ser usado ou manipulado, usar do atributo de sua inteligência pra bem analisar.
Quanto ao texto de Hélio Costa, ainda, sobre a questão dos estereótipos “Brasil, o País do Futebol” e “Brasil, o País da Corrupção”, aquele decorre de um reducionismo de nosso país a essa prática (é a visão que os EUA têm da gente, juntamente à Amazônia, praia, mulheres “gostosas” de biquíni, carnaval, dentre outros), este pode ter relação com a chamada “Síndrome de Vira-Lata”, que apregoa que tudo de ruim e de atraso é do Brasil, em relação aos ditos países de “Primeiro Mundo”; o ser humano é corruptível, e em todas as instituições humanas essa corrupção se apresenta – não que queira eu legitimar a corrupção, muito pelo contrário, cabe a nós fiscalizar para evitar ao máximo tal malogro. Não há qualquer relação entre o talento do brasileiro no futebol e a corrupção; agora, no que toca à venda do futebol e utilização dele como veículo de alienação pela máquina do capital (e foi nesse sentido que entendi o texto do camarada), cabe ressalvas, do tipo: tire a cara da TV e veja o quanto o mundo depende de sua ação! Não se deixe ser dominado!
Seria mais ou menos isso que teria a dizer sobre a questão...
Como prática esportiva, o futebol é, sem sombra de dúvida, uma das mais dinâmicas e admiráveis, requerendo resistência e perícia dos jogadores, bem como o entrosamento do grupo; além disso, existe todo um âmbito tático e estratégico que o perpassa; portanto, e por muito mais, futebol não é algo “fácil”, sobretudo quando se fala do status de arte que alguns conseguem atribuir a ele, com os toques de peraltice e aprimoramento da técnica.
Digo isso pra argumentar a favor do futebol como uma atividade interessante e necessária, em certo ponto, enquanto esporte - hoje, mais do que nunca, devemos ter ciência que não há saúde sem atividade física regular e sem lazer ou ócio. Ora, não é porque não levo jeito ao praticá-lo que irei desqualificá-lo.
Entretanto, como nem tudo são flores, não poderia deixar de tecer críticas às implicações culturais do futebol, oriundas duma lógica capitalista dominante, de mercantilização da vida, do esporte, do entretenimento, do lazer, do tempo etc.
Pra tratar disso, usarei de dois tópicos, tentando ser ao máximo claro e sucinto em minhas assertivas (críticas):
1- O critério pra escolha entre torcer ou não pra um time é absolutamente arbitrário; pra saber, tente recordar da ocasião em que escolheu o seu time, e verá que foi, provavelmente, por alguma razão afetiva ou impulsiva (até mesmo “herança”); não havendo, porquanto, uma justifica no âmbito de argumentos logicamente válidos pra escolha. Vai me dizer que ponderou todos os aspectos táticos e históricos (dentre outros) possíveis entre as diversas opções pra escolher o time que você torce? Se fez isso, saiba que você é membro de uma imensa minoria! Então, por que brigar por um determinado time em detrimento de outro? Faz sentido as agressões entre torcidas organizadas, intrigas, discussões levadas a sério por conta de torcida de time? São meras expressões das paixões humanas, encontrando um meio de extravarem, de formas grotescas, como radicalmente são. Isso é muito distinto de questões políticas, que podem e devem ser argumentadas e ponderadas, pois delas dependem efetivamente os rumos públicos de dado local.
2- Você já reparou como os grandes times de futebol de hoje se comportam como verdadeiras empresas? É justamente porque são empresas: empresas publicitárias de si e de outras empresas, empresas que comercializam pessoas (os jogadores, técnicos, assistentes...) e ganham fama e dinheiro com títulos! São empresas que estabelecem uma relação comercial com a mídia, que as promove, e que vêm perpassadas de uma lógica comercial, de entretenimento; elas se vendem a você, que as consome, “fugindo” do mundo (isto é, o mesmo que se alienando, num sentido marxista e pra além dele) ao ficar vidrado na TV ou ir a um estádio qualquer e “morrer” pelo time. E, como são hegemônicos (isto é, eles é que mandam), têm uma série de privilégios; veja-se as obras da Copa, passam por cima de licitação, do povo que reside na região etc., ademais a Fifa (a empresa maior) é repleta de “incentivos”, quero dizer, a Fifa tudo pode, e quem mais ganha com uma copa em lucro é ela. Quer negócio mais lucrativo que futebol?! Quer ser massa de manobra dos dirigentes de time e de toda a roda econômica que o futebol comercial movimenta?
São esses dois pontos que abordo, por ora, como suscitadores de reflexão e possível debate. O futebol é algo interessante, mas que pode ser usado de forma perversa. Cabe a você, que não quer ser usado ou manipulado, usar do atributo de sua inteligência pra bem analisar.
Quanto ao texto de Hélio Costa, ainda, sobre a questão dos estereótipos “Brasil, o País do Futebol” e “Brasil, o País da Corrupção”, aquele decorre de um reducionismo de nosso país a essa prática (é a visão que os EUA têm da gente, juntamente à Amazônia, praia, mulheres “gostosas” de biquíni, carnaval, dentre outros), este pode ter relação com a chamada “Síndrome de Vira-Lata”, que apregoa que tudo de ruim e de atraso é do Brasil, em relação aos ditos países de “Primeiro Mundo”; o ser humano é corruptível, e em todas as instituições humanas essa corrupção se apresenta – não que queira eu legitimar a corrupção, muito pelo contrário, cabe a nós fiscalizar para evitar ao máximo tal malogro. Não há qualquer relação entre o talento do brasileiro no futebol e a corrupção; agora, no que toca à venda do futebol e utilização dele como veículo de alienação pela máquina do capital (e foi nesse sentido que entendi o texto do camarada), cabe ressalvas, do tipo: tire a cara da TV e veja o quanto o mundo depende de sua ação! Não se deixe ser dominado!
Seria mais ou menos isso que teria a dizer sobre a questão...
Fonte: Blog do Ditim