Governar e legislar (e julgar) neste País vem se tornando uma interminável gincana de bizarrices. A última parafernália republicana vem de Campinas, interior de São Paulo, onde um vereador criou (e o prefeito aprovou) uma lei que obriga restaurantes a dar 50% de desconto para quem fez a famosa operação de redução de estômago. Juro.
Como se sabe, quem faz a tal cirurgia bariátrica (e sobrevive a ela) vê seu apetite reduzido drasticamente. Glutões que antes dragavam panelas de comida passam a se saciar com pequenas rações diárias. E, em sua maioria, quando vão comer fora, não dão conta das porções que os garçons trazem à mesa (a não ser aquelas mixarias caríssimas da chamada alta gastronomia). Fato.
Pois bem. E o que o vereador, o prefeito, os munícipes e, principalmente, o dono da churrascaria têm a ver com isso? A princípio, imagina-se, nada. Mas por princípio instalado em nosso Estado que faliu, tudo.
Como nossos governantes têm-se mostrado incapazes de justificar suas dispendiosas existências, o desafio deles ultimamente se resume a transferir responsabilidades. Com multas. No caso do vale-estômago, a fiscalização será feita pelo Procon, e o empresário que descumprir a mamata vai morrer com R$ 469,80.
A nova regra vale para restaurantes e estabelecimentos similares que sirvam pratos à la carte e serviços de rodízio. Ficam de fora a comida a quilo, bebidas e sobremesas. Lanchonetes não são obrigadas a cumprir a lei. Entendeu a relevância social da iniciativa?
O vereador Francisco Sellin (PMDB), autor da esmola com o caixa alheio, pensou em tudo. Para conseguir o benefício, o cliente deverá comprovar que passou pela redução de estômago, apresentando um laudo ou declaração assinada por um médico - que deve ser inscrito no Conselho Regional de Medicina (porque o troço é sério, né?).
Ah, tá. Sem entrar muito em detalhes sobre a brilhante ideia, dá pra imaginar espertinhos falsificando atestados ou, singelamente, pedindo pra embrulhar a sobra para levar pra casa. Gentileza gera gentileza.
Mesmo que isso não ocorra (afinal, brasileiro dá muito valor a essa história de benefício), é o caso de perguntar: aonde vai parar essa mania de repassar para a esfera privada o que, caso fosse, seria um problema público?
Se a prefeitura de Campinas acha que ex-gordinhos devem receber tratamento especial em rodízios de carne, que o faça, mas com dinheiro do contribuinte. E pague pra ver o que a população vai achar disso. Provavelmente, se a meia-entrada de cinema ou shows fosse paga com impostos, muita gente seria contra a carteirinha de estudante.
E por aí vai. Sem parar. O que nos cabe perguntar nessa farra do boi é: quando nossos mandatários vão voltar a ser ocupar com estradas, hospitais, escolas, creches? Justiça social não se faz com desconto. Já nos bastam as cotas. Quando seremos um País por inteiro?
Como se sabe, quem faz a tal cirurgia bariátrica (e sobrevive a ela) vê seu apetite reduzido drasticamente. Glutões que antes dragavam panelas de comida passam a se saciar com pequenas rações diárias. E, em sua maioria, quando vão comer fora, não dão conta das porções que os garçons trazem à mesa (a não ser aquelas mixarias caríssimas da chamada alta gastronomia). Fato.
Pois bem. E o que o vereador, o prefeito, os munícipes e, principalmente, o dono da churrascaria têm a ver com isso? A princípio, imagina-se, nada. Mas por princípio instalado em nosso Estado que faliu, tudo.
Como nossos governantes têm-se mostrado incapazes de justificar suas dispendiosas existências, o desafio deles ultimamente se resume a transferir responsabilidades. Com multas. No caso do vale-estômago, a fiscalização será feita pelo Procon, e o empresário que descumprir a mamata vai morrer com R$ 469,80.
A nova regra vale para restaurantes e estabelecimentos similares que sirvam pratos à la carte e serviços de rodízio. Ficam de fora a comida a quilo, bebidas e sobremesas. Lanchonetes não são obrigadas a cumprir a lei. Entendeu a relevância social da iniciativa?
O vereador Francisco Sellin (PMDB), autor da esmola com o caixa alheio, pensou em tudo. Para conseguir o benefício, o cliente deverá comprovar que passou pela redução de estômago, apresentando um laudo ou declaração assinada por um médico - que deve ser inscrito no Conselho Regional de Medicina (porque o troço é sério, né?).
Ah, tá. Sem entrar muito em detalhes sobre a brilhante ideia, dá pra imaginar espertinhos falsificando atestados ou, singelamente, pedindo pra embrulhar a sobra para levar pra casa. Gentileza gera gentileza.
Mesmo que isso não ocorra (afinal, brasileiro dá muito valor a essa história de benefício), é o caso de perguntar: aonde vai parar essa mania de repassar para a esfera privada o que, caso fosse, seria um problema público?
Se a prefeitura de Campinas acha que ex-gordinhos devem receber tratamento especial em rodízios de carne, que o faça, mas com dinheiro do contribuinte. E pague pra ver o que a população vai achar disso. Provavelmente, se a meia-entrada de cinema ou shows fosse paga com impostos, muita gente seria contra a carteirinha de estudante.
E por aí vai. Sem parar. O que nos cabe perguntar nessa farra do boi é: quando nossos mandatários vão voltar a ser ocupar com estradas, hospitais, escolas, creches? Justiça social não se faz com desconto. Já nos bastam as cotas. Quando seremos um País por inteiro?
Fonte: O Provocador