Ar@quém News - domingo, 6 de janeiro de 2013

O que se esperar de Roberto Cláudio?

Da coluna Menu Político, no O POVO deste domingo (6), pelo jornalista Luiz Henrique Campos:

Há justificados motivos para se considerar a possibilidade da gestão Roberto Cláudio à frente da Prefeitura de Fortaleza estar intimamente ligada ao projeto administrativo do governador Cid Gomes em relação à Capital. Além de ter se empenhado pessoalmente para elegê-lo, fazendo panfletagem em via pública e até se expondo em demasia para autoridade da sua estatura, ao pilotar triciclo com cores berrantes pela periferia da cidade, o governador já vinha prestigiando RC desde quando o hoje prefeito assumiu cadeira no parlamento estadual. Na curta carreira política de seis anos, Roberto Cláudio foi vice-líder do governo na Assembleia e presidente da Casa, de onde saiu para assumir a prefeitura Fortaleza. Tudo isso graças ao apoio incondicional do governador. Diante dessa trajetória nada mais natural que RC seja grato a Cid Gomes por ascensão tão rápida.

Não à toa, o prefeito repete, sempre que possível, ser Cid referência política para ele. Esperar, portanto, que haja por parte do novo prefeito questionamentos diretos ao governador será querer demais, principalmente pelo próprio perfil pessoal de Roberto Cláudio, conhecido pelo fino trato, mesmo em meio à classe política, tão afeita a rasteiras e armadilhas. Nesse sentido, não custa lembrar que na história política de Fortaleza pós-proclamação da República (1889), poucos foram os gestores da Capital que não estiveram alinhados ao poder estadual. Para se ter ideia, até 1925, os administradores do executivo em Fortaleza, na época os intendentes, eram nomeados pelo presidente do Estado entre os vereadores eleitos. De 1925 até a revolução de 1930, passaram a ser eleitos diretamente pelo povo, mas com forte influência do aparato de poder estadual.

Com a revolução de 1930, os prefeitos passam a ser nomeados agora pelo interventor estadual, sendo que, somente em 1947, volta-se a eleição direta pelo povo, período que perdurou até a instituição do Ato Institucional nº 5, no ano de 1967. Mesmo após o término do período de exceção, foram poucos os momentos em que os prefeitos de Fortaleza se confrontaram diretamente com o poder estadual de plantão. Exemplo disso foi a eleição de Maria Luiza, esta sim, eleita por cima de pau e pedra contra os governos federal e estadual. Depois de Maria vieram Ciro Gomes, Juraci Magalhães, Antônio Cambraia, novamente Juraci, e, finalmente, Luizianne Lins. Destes, com exceção de Juraci, que chegou a se indispor em alguns momentos com Tasso, todos estiveram bem próximos ao governo estadual. Até Luizianne, que durante a campanha disse que não seria bom para a cidade ter um prefeito do lado do governador, esteve ao lado de Cid até quando pode.

Mesmo em épocas distantes, seria muito reducionismo achar que essas ligações entre governo do Estado e Prefeitura de Fortaleza ao longo dos anos não deixaram marcas importantes para a cidade. Umas mais, outras menos, é claro. No caso de Roberto Cláudio, a dúvida que se coloca, a partir daí, é saber até que ponto essa proximidade irá trazer os benefícios para a cidade, em meio aos enormes desafios que estão colocados. Mas isso, por enquanto, ainda é cedo para avaliar, e qualquer análise é mera conjectura, quando não, interesses e desejos contrariados. 
 
Fonte: Blog do Eliomar
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