O balanço financeiro dos principais clubes do País prova algo que há muito se sabe: são mal administrados, caloteiros, incompetentes, caros e protegidos pelo governo. Um verdadeiro assalto.
Nenhum deles opera no azul. Pior, as doze maiores equipes acumulam dívidas que chegam aos R$ 4,6 bilhões. Uma fortuna que dificilmente será paga - principalmente aquela relativa a dívidas com impostos.
Os picaretas, com apoio irrestrito do Ministério dos Esportes, preparam uma anistia que deve chegar a 90% das pendências com o fisco, mais taxas e contribuições. Um desfalque criminoso que pode chegar a pelo menos R$ 4 bilhões. Bilhões.
Apenas Cruzeiro e Santos reduziram seus débitos no exercício passado. Mesmo assim, ainda devem milhões. Isso num cenário em que as arrecadações têm aumentando, graças ao dinheiro do cartel de transmissões de TV (vulgo rede Globo) e a patrocínios estapafúrdios como o da Caixa. Não pagam porque não querem. Nem precisam, como sentiremos em breve no bolso.
Cinicamente, a medida provisória do governo (não tiveram nem a decência de fazer um transparente projeto de lei) diz que, em troca do perdão bi-li-o-ná-rio, os clubes assumirão o compromisso de realizar projetos sociais, que envolvem a abertura de suas estruturas esportivas para jovens das comunidades próximas. Alguém com neurônios em atividades acredita nessa "contrapartida". (Gargalhadas diabólicas são ouvidas ao fundo).
Mesmo que haja esse "retorno social", seria um mal negócio escandaloso para os cofres públicos: imaginem quantos clubes esportivos, quadras, piscinas ou campinhos de futebol seriam construídos nas periferias com esse dinheirão que tem sido sonegado (é exatamente essa a palavra) pela cartolagem mafiosa que impera em praticamente todas as equipes.
Não há melhor retrato do Brasil do que seus clubes de futebol. São tão parecidos que se irmanam de forma incestuosa, obscena. Imagina na Copa.
Fonte: O Provocador
