Ar@quém News - quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O rock n' roll está em crise?



Cadê vocês, porra?!
Poderíamos começar esse texto como uma pergunta trivial: o que está havendo com o rock? De modo geral (bem geral) não vemos mais a moçada vestindo blusas da Legião Urbana, do The Doors, do Guns, do Engenheiros, etc. Não se vê os jovens se espelhando em músicos do mundo do rock que outrora abalava o mundo com o seu som contestador. O rock parece não ser mais aquela coisa de Woodstock, da geração de 68, o som rock dos anos 80 ou 90, etc. Então o que houve com o rock? Me perdoem fazer essa pergunta mas o rock morreu e ficaremos apenas com o que restou? Não faremos mais rock para continuar a contestação?

Pois bem aqui segue algumas respostas do texto que me inspirou a escrever este.

Isso é ruim?

De jeito nenhum. Tampouco quer dizer que o rock acabou e nem que as pessoas não estão mais ouvindo. No máximo, o rock perdeu força comercial e não está mais sendo, digamos, financiado.
O jabá ainda domina televisão e rádio e engana-se quem pensa que a internet não sofre com isso, bastando ver que as músicas mais tocadas em diversos países são de artistas/grupos que possuem investimento pesadíssimo em divulgação.
Agora, por que ninguém quer bancar uma banda de rock?

O rock n’ roll envelheceu

Cabeludos, camisa preta, Woodstock, milhares de vertentes e ramificações dessas vertentes. O Bono, o Chris Martin, vocalista do Coldplay. Tudo isso remete a mofo, a velharia, a coisa antiga. O rock sempre foi, por essência, jovem. Quando o seu avô curte o mesmo estilo musical que você, quando se tem 13, 15, 17 anos, algo está muito errado.
Pra gente, pessoas entre 25 e 35 anos, parece até legal escutar um som com o avô, mas para a molecada, isso não é transgressor. O rock perde, assim, vivacidade e poder de transgressão, que estão na cerne do estilo musical.

Realmente não era fácil para os pais racistas daquela época ver seus filhos, com as cabeças cada vez mais abertas por influências musicais e intelectuais, dançarem da mesma forma que os negros dançavam. Até aquele momento, o ritmo branco tradicionalista e preconceituoso não aceitava a sensualidade e o suingue dos negros.

Isso não quer dizer que todo rock é velho. Há frescor a todo instante, com bandas novas e novas experimentações. O estilo em si é que é velho.
O rock vende… produtos

Novamente, o rock era um som jovem que deixava, até pouco tempo atrás, os adultos de cabelos em pé. Hoje, facilmente vemos dezenas ou até centenas de propagandas que tem como trilha sonora o rock n’ roll.
Ora bolas, se antes as meninas ouviam rock escondidas do pai, se os cristão queimavam discos dos Beatles por serem “mais famosos que jesus Cristo”, se sua mãe mandava rezar uma novena toda vez que te pegava ouvindo um disco do Iron Maiden ou Metallica ou ACDC, Se o grunge era perigoso e tendenciava suicídios, se o pessoal do Planet Hemp foi preso por apologia às drogas, cacete, hoje esse mesmo rock está vendendo carros no feirão de final de semana no pátio da fábrica da Chevrolet!

Em algum momento o rock deixou de ser inclusivo

O rock n’ roll sempre deu voz aos excluídos. Não que eles fizesse m rock, mas sempre falavam pra eles ou com eles. Jovens, trabalhadores, mulheres, indígenas mexicanos. A facilidade em tocar e absorver melodia e mensagem, a catarse de se cantar junto, de se movimentar, de inspirar e cuspir frustração e hormônio sempre foi o catalizador do rock.
Hoje, o rap, o hip-hop, o funk tomaram essas qualidades de assalto. Não confunda “não entendi” com “não gostei”. Se você não gosta desses novos estilos, é porque eles não são para você. Liberdade da sexualidade, o desabafo da violência na cidade, música “fácil” feita deles para eles.
O rock já foi assim um dia.
Hoje, o rock parece ter adquirido um caráter de música elitizada. Quando um intitulado “roqueiro” diz que esses estilos são feitos para as pessoas não pensarem, ele está fazendo o que um pai americano da década de 50 — militar e conservador — fazia quando o rock misturava o country dos brancos com a suingada dos negros.
O rock sempre foi e deve continuar sendo um estilo inclusivo, que atrai pessoas e não que as repelem. Por isso bandas mais experimentar (ou elitizadas, ou arredias ou qualquer adjetivo que quiser colocar) como Radiohead poderia ficar confortavelmente no mesmo estilo que o som bonachão do rock rural que os Raimundos fizeram no começo da carreira.
O rock n’ roll tem até rock pra quem não gosta de rock, como as diversas bandas mais pop como (coloque aqui o nome daquela banda que você acha que nem deveria ser chamada de rock).

No Brasil, não há melhor época para se começar a fazer rock n’ roll

Ninguém tá dando um real pro rock por essas bandas. Atenção, carinho afeto. O rock está abandonado por aqueles que investem em música. Momento ideal para todo o topo de experimentação genuína.
Depois dos Rimundos, toda banda queria soar como Raimundos. Depois de Los Hermanos, toda banda queria soar como Los Hermanos. Por anos, lá fora, roqueiros queriam cantar como o Eddie Vedder ou andar e falar e se vestir como Kurt Cobain. Quando se está em evidência, é fácil demais fazer com que a coisa se repita a exaustão.
Quem o roqueiro vai copiar hoje? O Capital Inicial? Tico Santa Cruz?
O rock está sem heróis e é bom que assim seja. Se for voltar a brilhar para que olhos se voltem para ele e dinheiro seja injetado, que seja com um som feito em casa, daqueles que nego vai ficar alucinado de não ter ouvido antes.
E é só esperar para acontecer.
Guardem o que estou falando.

De minha parte acredito mesmo que o rock já virou o sangue que corre nas veias da música. É o coração que possa em cada um de nós que curte o bom e velho rock n' roll. O rock vive e viverá para a eternidade e pela eternidade.
Amém.

Por Valdecir Ximenes 

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